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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Faltou-me.

Ainda não são 10h da manhã e a primeira notícia que li foi:

Muse no Pavilhão Atlântico: A união faz a força

O regresso dos Muse a Lisboa, um dos concertos mais concorridos da temporada, encheu as medidas da maioria dos fãs que esgotaram o espectáculo há meses. Na noite de domingo, o trio britânico levou ao Pavilhão Atlântico as canções do novo disco, “The Resistance”, e quase todas foram tão bem acolhidas como os singles mais emblemáticos da banda.

Dos milhares que marcaram presença no concerto de ontem dos Muse, muitos dirão (e disseram à saída) que o trio britânico é a melhor banda ao vivo da actualidade - pelo menos dentro do rock e aparentados.

Mas mais certo do que isso é o facto do grupo ter das legiões de fãs mais dedicadas. Exemplos? Ninguém pareceu muito incomodado por ter de ser ver livre dos guarda-chuvas, cuja entrada no Pavilhão Atlântico foi proibida e logo numa noite particularmente chuvosa. Durante a actuação da banda de abertura, os escoceses Biffy Clyro, era já difícil encontrar lugares livres nas bancadas, sintoma de um concerto esgotado há meses. E entre esta primeira parte e a entrada dos Muse, enquanto se ouviam remisturas de temas dos Franz Ferdinand, The Presets ou Röyksopp, a principal forma de preencher o compasso de espera foi a disseminação de várias ondas por toda a plateia e bancadas, que obtiveram durante largos minutos uma adesão impressionante.

Alta fidelidade

Claro que quando o Matt Bellamy, Chris Wolstenholme e Dominic Howard finalmente entraram em palco, com cerca de quinze minutos de atraso, grande parte do público fez questão de os receber de pé e assim permaneceu ao longo de quase duas horas.

Com actuações em festivais e em nome próprio, os Muse têm tido várias passagens por Portugal ao longo dos últimos dez anos, mas a julgar pela enchente de ontem ainda não foram as suficientes.

“The Resistance”, o quinto e novo álbum de originais, deu o mote para um regresso que contemplou essencialmente os últimos discos do trio – “Showbiz” (1999), o registo de estreia, foi mesmo completamente ignorado. As novas canções, incluindo as que não são singles, foram quase todas tão bem acolhidas como as antigas, mais uma prova da dedicação dos fãs, e a euforia registou-se logo na sequência inicial, com “Uprising” e “Resistance” – temas eficazes mas que pouco acrescentam ao universo dos Muse.

Um palco estonteante e um vocalista versátil

Mais surpreendente, a ambiciosa componente visual apostou em três grandes pilares móveis de LEDs, elementos que reforçaram a energia em palco e levaram – literalmente – a banda às alturas. Prédios a ruir, palavras de ordem expressas nas letras das canções ou os membros do grupo com vários efeitos cromáticos foram algumas das imagens que acompanharam a sucessão de temas.

A prestação da banda ficou aquém desta sumptuosidade cénica mas não comprometeu a coesão já demonstrada noutras ocasiões. Bellamy, em particular, entregou-se a uma pose orgulhosamente roqueira nas ocasiões em que se agarrou à guitarra, de joelhos, e aumentou o entusiasmo do público quando passeou até aos extremos do palco. O vocalista dedicou-se ainda ao piano em em “Guiding Light” ou “Feeling Good”, a muito aplaudida cover de Nina Simone, e agradeceu o apoio incondicional dos fãs com alguns “obrigados” que geraram outras tantas ovações.

Menos pode ser mais

Ambientes épicos e barrocos dominaram quase todo o alinhamento e, à semelhança do que ocorre nos discos, essa opção revelou-se por vezes exaustiva – mesmo que bem defendida a nível instrumental. Pontuais excepções à regra como o balanço funky de “Supermassive Black Hole” ou o quase R&B sintético de “Undisclosed Desires” (hipotético encontro entre Timbaland e Depeche Mode) foram bem-vindas, e mesmo não sendo das melhores canções dos Muse trazem algum ar fresco à sua música.

A sequência de maior adesão registou-se, no entanto, com os trunfos “Starlight”, “Plug in Baby” (com direito a balões rebentados pelo público) e “Time is Running Out”, já na recta final do concerto. Headbanging e letras gritadas por milhares foram acompanhados por uma epidemia de saltos e sorrisos rasgados, frenesim reforçado quando Dominic Howard confessou que o público português foi o melhor da digressão e anunciou um regresso em 2010 – revelação que, para muitos, terá tido sabor a prenda de Natal antecipada, rematando da melhor forma uma noite previsivelmente apoteótica.

Alinhamento do concerto:

"Uprising" "Resistance" "New Born" "Map of the Problematique" "Supermassive Black Hole" "MK Ultra" "Hysteria" "United States of Eurasia" "Feeling Good" "Guiding Light" "Undisclosed Desires" "Starlight" "Plug In Baby" "Time Is Running Out" "Unnatural Selection"

Encore:

"Exogenesis: Symphony Pt 1: Overture" "Stockholm Syndrome" "Knights of Cydonia"